“Pensativo” fala da história do compositor, marcada por superações.

will

Com muita reflexão e crítica social, a música “Pensativo”, que dá nome ao novo EP do compositor J. Will está ganhando uma versão audiovisual, através do trabalho da equipe da Maria Bonita Comunicação.

Das calçadas e das ruas para os estúdios de gravação de seu trabalho autoral. Tem sido assim, há alguns anos, a nova rotina do rapper que fazia rimas cuidando carros nas ruas.
J. Will sempre foi um especialista em rimas e, através de uma história marcada por superação, tem expressado o seu trabalho com um grande crescimento artístico e profissional. A parceria com a Maria Bonita fortaleceu ainda mais o leque de apoios que o compositor vem recebendo. “A equipe tem sido super colaborativa e está me ensinando muito. Construímos o roteiro juntos e pra mim tem sido importante a valorização e o reconhecimento da equipe”, afirmou o rapper.

De acordo com o diretor do videoclipe, Juliano Luz, o vídeo está sendo construído com imagens simples em locais que fazem parte do cotidiano de J. Will “e com uma levada mais introspectiva que se conecta com a mensagem que a letra da música nos transmite”. A equipe também é formada por Maria Vieira (câmera), Isis Lamas (edição e design), Janis Odara (design) e Roger Peres (produção).

Com imagens no Barro Duro, bairro onde J. Will está morando atualmente e com cenas noturnas que fazem parte da rotina do compositor, o videoclipe tem previsão para estrear ainda no mês de abril.

O disco também pode ser encomendado na página de Will no Facebook. Para ouvir e baixar online, acesse soundcloud.com/josemar-will.

Mato Cerrado no Programa Radar

Publicado: fevereiro 19, 2016 em Notícia

A banda produzida pela Maria Bonita Comunicação, Mato Cerrado, foi uma das atrações musicais do Programa Radar, da TVE, em janeiro deste ano.

O programa, já reconhecido no cenário cultural e musical do Rio Grande do Sul é voltado tanto para os novos talentos quanto para as bandas já consagradas do cenário local e nacional. Além de trazer atrações musicais ao vivo, o Radar produz matérias sobre o mundo da música, a agenda cultural, notícias, entrevistas, dicas e exibição de videoclipes de bandas locais, nacionais e internacionais. A apresentação é de Cristiano Sassá e a produção executiva, de Bruna Linhares.

Na participação do programa, a banda pôde falar sobre a formação do power trio de rock/blues, formado em 2010, além de falar sobre sua paixão pela música e divulgar as canções do seu primeiro EP, que acaba de ser lançado.

Confira na íntegra o programa, exibido no dia 21 de janeiro.

12522919_1722167654682817_7616651380239589552_n

Nesta quinta-feira (18), às 19h, ocorre audiência pública na Câmara de Vereadores para debater a situação das/os indígenas Kaingang em Pelotas (RS). As 16 famílias que se encontram na cidade chegaram em novembro, vindos da aldeia Kondá, em Chapecó (SC). Devido às dificuldades encontradas nessa localidade, decidiram permanecer em Pelotas, município que já era rota de comercialização de seu artesanato há algumas décadas.

No entanto, aqui também vêm enfrentando diversos problemas. Apesar de contarem com ajuda pontual e emergencial da comunidade pelotense, com doações de alimentos, produtos de higiene, água, lona, entre outros itens, a situação segue precária. O local onde estão instalados, em frente à rodoviária, nas margens de uma rodovia muito movimentada, apresenta insegurança e falta de estrutura básica para as famílias. Ali não têm água para beber e para a higiene, tendo que atravessar a faixa constantemente para buscá-la na rodoviária. As barracas onde estão, confeccionadas pelas/os próprios/as Kaingang, são estruturas simples e cobertas com lonas, que devem ser trocadas constantemente devido às danificações causadas por fenômenos climáticos, como o vento e a chuva. Nesta época de verão, o local do acampamento é muito quente. No inverno, será pior, devido ao volume grande de chuva.

Sendo assim, as/os Kaingang necessitam com urgência de um novo terreno para viverem com dignidade. Para pensar nessa situação, que envolve, além de tudo, o reconhecimento da marginalização que os indígenas sofrem desde que tiveram suas terras colonizadas pelos brancos, chamamos a comunidade pelotense para a audiência pública. Precisamos unir forças e chamar o Poder Público à sua obrigação: dar condições de vida digna a todos os cidadãos tutelados por ele, respeitando e protegendo, também, a especificidade social e cultural destes povos.

As/os Kaingang também farão uma caminhada para chegar à Câmara, tendo como ideia sair por volta das 17h45 do acampamento.

O quê: Audiência Pública para discutir a situação dos Kaingang em Pelotas.

Horário: 19h

Onde: Câmara de Vereadores de Pelotas

Resistência Kaingang Pelotas 

O programa cultural será exibido na noite da próxima quinta (21), às 20h, na TVE.

P&B

Participando da programação do Radar, programa referência no cenário cultural e musical do Rio Grande do Sul, a banda Mato Cerrado estreia a primeira semana de programas inéditos da emissora TVE, mostrando o seu trabalho. O programa será exibido na próxima quinta-feira (21), a partir das 20h.

Apresentado por Cristiano Sassá, o programa, que já é conhecido do público amante da cultura, tem bastante destaque entre o público jovem com uma programação voltada tanto para os novos talentos quanto para as bandas já consagradas do cenário local e nacional. Além de trazer atrações musicais ao vivo, o Radar produz matérias sobre o mundo da música, agenda cultural, notícias, entrevistas, dicas e exibição de videoclipes de bandas locais, nacionais e internacionais.

Agenda de shows e participações em festivais

3

2016 iniciou com a ótima energia do rock’n roll para a banda Mato Cerrado. Com participações em atividades culturais locais e festivais fora de Pelotas, a banda, que acaba de lançar o seu EP, tem apresentado um show com o repertório autoral e algumas releituras de grandes clássicos do rock.

A equipe da Maria Bonita Comunicação, que tem desenvolvido trabalhos em produção e assessoria de imprensa para a banda, avalia o crescimento da banda como fruto de um trabalho coletivo, a partir da grande qualidade musical dos músicos, somada a um trabalho feito em equipe, que cuida de toda a divulgação, produção de materiais, contato com público e produtores locais.

_MG_9820

2015 foi um ano de muitos projetos em que a Maria Bonita Comunicação esteve envolvida, na produção e organização de materiais, através de parcerias culturais e serviços desenvolvidos nas áreas da comunicação, do cinema e do design.

Com uma promoção de final de ano, a agência acaba de lançar um sorteio com um kit repleto de trabalhos executados pela equipe, além de brindes especiais.
O kit conta com:
– 1 DVD do documentário “Teatro Na Construção do Ser”, com direção de Márcio Costa;
– 1 Camiseta com ilustração da designer Janis Odara;
– 1 EP da banda Mato Cerrado;
– 1 trabalho artístico do desenhista Rafael Sica;
– 2 bottons.

Para participar:
– Curta a fanpage da Maria Bonita C.;
– Curta a publicação que se encontra fixada no topo de nossa fanpage;
– Clique em “Quero Participar” neste link;
– Compartilhe em sua timeline a postagem promocional.

* O resultado com o nome do sorteado sairá no dia 02/01/16 em nossa fanpage.
* Se o sorteado morar fora de Pelotas, deve arcar com os custos do envio do material.
* Promoção válida até 01/01/16.

“Eu lembro de pedaços de cenas, na casa da minha vó, quando eu era criança. Eu tinha uma tia, e ela dizia que, quando alguma coisa ruim me acontecesse, eu ia pra um canto e começava a cantar. A música sempre me chamou a atenção, sempre esteve comigo”.

DSC_4088

A declaração vem dela mesma, sentada na sala da própria casa, no mesmo bairro em que nasceu e vive até hoje. A DJ de 30 anos atrás e, que segue atualmente, com as mesmas crenças na música e na cultura popular, com as mesmas paixões pela visceralidade da música, especialmente brasileira, é uma curtidora de som, um tanto polêmica, crítica e resistente, com uma história marcada por luta, reconhecimento e respeito.

Heloisa Helena Ferreira Duarte tem 54 anos de idade e 30 de carreira. E sorri quando diz que, apesar de todo o caos existente em tempos atuais, ainda faz o que acredita e o que não consegue viver sem. Tocar música é um ato de libertação contínuo e diário. Libertar a si e aos outros. Libertar mestres e mestras da música que, em grande parte, não são tocados pelas rádios, não são lembrados e dançados nas festas. Tocar música popular na noite é libertar até mesmo a própria cidade, ainda amarrada em preconceitos e estereótipos do passado. Quando a DJ Helô toca, alguma coisa acontece.

A história daria um livro. Sobre história de uma vida humana, sobre diversidades, sobre arte e cultura, sobre contracultura aliás. Sobre um pouco de uma Pelotas paradoxal. Adotada aos 5 anos de idade por uma família que, “de uma maneira um tanto espiritual, deu a certeza de que era a família para estar junto, de que era ali, o lugar certo para ficar”, a DJ, popularmente chamada por “Helô”, cresceu em meio a muita música, a dificuldades financeiras, a formação de identidade e a descobertas.

São trechos longos de uma vida de medos, ousadias, conquistas, sins e nãos, dias e noites. Muitas noites. Helô tem uma vida corrida durante o dia: estudos, casa, compromissos em geral. Mas seu trabalho e sua vida têm a noite como primordial.  Sua fábrica, é uma sala de um lugar qualquer cheio de gente que dança. Sua máquina de trabalhar, é uma mesa de som cheia de discos.

A paixão pela música começa desde muito novinha, com histórias no rádio e em discotecagens em Santa Vitória do Palmar, fissura por discos, ansiedade necessária por encontrar a batida perfeita, por devorar música e se alimentar dessa arte viciante. Helô já teve bares, já morou em outra cidade, já tocou para poucos e muitos. Já sofreu e viveu momentos inexplicáveis. Já foi e já voltou. E agora está aqui.

DSC_3132

O cenário das festas, em meio aos discos e CD’s, com fone de ouvido e all star,  uma multidão que dança, pede músicas e vai até o palco abraçá-la em  uma atmosfera visceral e quente, de leveza e pegada. “Eu não perco uma festa da Helô. Tento ir em todas, pois é uma maneira de afogar os meus problemas e simplesmente dançar, encontrar gente massa e ainda me inspirar com a presença e com a energia dela”, disse Franciele Correa, que mora há quatro anos em Pelotas e que lembra da primeira festa que foi. “Foi num reveillon. Todo mundo me dizia que eu tinha que ir. Naquele ano estava sozinha em Pelotas e fui. Foi a melhor escolha. Não me senti só em nenhum momento e foi um ambiente, além de divertido, acolhedor”.

Mulher, negra, homossexual e DJ

Há quem ainda ouse dizer que o preconceito não existe. Mas só quem passa na pele sabe que as diferenças, infelizmente, ainda são reais, e quando praticadas com racismo e homofobia, dóem. Pelotas, berço de uma história marcada por sangue e separatismo, ainda deixa seus resquícios de absurdos em tempos atuais. Ser mulher, negra, homossexual e DJ na Princesa do Sul não é fácil e nunca foi. “Já passei por poucas e boas aqui. Mas isso me deixou ainda mais forte. Nunca baixei minha cabeça e sigo tocando minha música, em qualquer lugar.” Helô ocupa todo e qualquer espaço. Dos subúrbios às charqueadas. Das ruas às mansões. Dos bares aos castelos mais luxuosos. Todos os lugares, sem perder e esquecer as raízes de onde veio. E para onde quer ir e estar. “Alguns se chamam pelo nome e sobrenome. Eu, ao contrário. Tenho o meu primeiro nome (Heloísa) diminuído, pela metade. Sou ao contrário disso tudo mesmo”.
A verdade é que você (todo brasileiro) tem sangue crioulo
A música popular brasileira não apenas foi o início de tudo, desde as primeiras músicas que ouvia no toca-discos ganhado pela mãe, aos 18 anos de idade, como ainda é a força da festa da Helô. Brazuca, declarada e apaixonada pelos movimentos da música nos diversos lugares do país, Helô toca samba, bossa, manguebeat, maracatu, côco e uma infinidade de pedaços de brasis dentro de um Brasil gigante. O movimento black norte-americano também é uma forte referência. O hip-hop e “tudo o que os negros fizeram”.

A resistência em tempos estranhos

“Tá tudo bem, mas tá esquisito.” A frase escrita num muro de uma casa do bairro porto, em Pelotas, faz muito sentido. Ainda mais, se tratando da música. O que é tocado, o que é vendido massivamente, o que tá posto pelo sistema. Helô destoa disso tudo. “Nunca me rendi ao que ‘todo mundo toca’. Eu sou fiel ao que eu acredito.” Não foram apenas os “marginais” e “malditos” da música que foram heróis da contracultura. DJ’s que ainda tocam os artistas que botavam ‘a boca no trombone’, são uma espécie de heróis em tempos esquisitos. Viver tocando música popular brasileira é para poucos. Tocar o novo, ir atrás do novo é se auto-descobrir e não envelhecer. Ter um público enorme, fiel e que espalha essa diversidade, é precioso. Estar em pé, em pleno 2015, com o sistema querendo engolir o pouco que temos, é heroísmo.

DSC_8582

Recentemente, Helô tocou no palco da Virada Cultural, atividade organizada pela Prefeitura Municipal de Pelotas, dentro da programação da Feira do Livro. O cenário era ela, com seu cabeço black power, seus fones de ouvido, no centro do palco em meio aos discos. E uma multidão espalhada pelo Mercado Central, dançando. A música, que permeava a região conhecida como “o coração da cidade” e os arredores da praça, foi, como sempre, fiel àquela libertação descrita lá no inicio do texto. O ato de libertar a si é uma forma de libertar os outros. E a música tem essa capacidade.

Representações e simbolismos à parte, era naquele palco, uma mulher, que aos 50 e poucos anos, vive do que ama, que quando toca com a agulha no vinil, dá voz aos que foram calados no passado. Que toca por uma geração anterior e por uma geração que tá aqui e agora. Helô é, sem dúvida, uma das resistências vivas de Pelotas. E pratica a liberdade quando toca.

  • Fotos: Lúcio Pereira 

Nádia Campos retraz lugares e raízes sertanejas de uma paisagem que diz muito sobre o Brasil.

“A própria vida é um motivo de inspiração.” Essa é a resposta que a compositora e cantora Nádia Campos define sobre as suas inspirações para compor. Nascida em Belo Horizonte e criada na região metropolitana de Minas, Nádia começou na música desde muito cedo. Em meio aos vinis de seus pais, aos 6 anos de idade, após ouvir um disco do violeiro e cantador Rubinho do Vale, a menina mineira teve a primeira certeza do caminho que percorreria ao longo da sua vida.  “Ouvi o disco dele (Rubinho do Vale), liguei  e disse que queria cantar com ele. A partir daí, nunca mais parei”.

Quando Guimarães Rosa escreveu que “o sertão é dentro da gente”, ele expressou o sentimento de diversos brasileiros que se sentem pertencidos a esse ambiente. A influência das raízes sertanejas e dos saberes populares são latentes no encantamento do trabalho artístico de Nádia, mesmo nascida e crescida em cidade grande. No decorrer de sua trajetória, o caminho parece estar muito claro: a revisitação do cenário caipira, sertanejo e popular estão muito presentes em sua música.

Sobre a vida, ela lembra de poesia. “Se viver fosse só dar conta do cotidiano, das demandas práticas da vida, faltaria um tempero. A poesia busca a sutileza das coisas simples da vida e ao mesmo tempo a profundidade. A poesia não se explica, então é uma forma de expressar o que não se explica”.

“A obra de Dércio Marques é toda uma boniteza”

Nádia esteve em Pelotas, em 2014, como participante da edição do Projeto Dandô – Circuito Dércio Marques de Música. O Circuito acontece simultaneamente em várias cidades brasileiras com o objetivo de criar um intercâmbio e gerar novas plateias para a arte de diversos cantadores, violeiros e artistas em geral da música folclórica brasileira. Em homenagem ao cantador Dércio Marques – falecido em junho de 2012 – o projeto lembra a arte de um dos cantadores que mais fez pela arte nos “Brasis” que estão fora do eixo de mídia de massa.

Sobre a obra do mestre, Nádia define como uma “boniteza”, somada à sensibilidade: “reflexo do ser que ele foi e que passava nos inspirando alegrando. Dércio Marques foi um anjo na Terra. Algumas pessoas perceberam isso”, disse.

A cultura popular e a sobrevivência humana

Há, sobretudo, uma desigualdade brutal nos caminhos da arte no Brasil. Nádia faz parte do grupo dos artistas solitários, que possuem um mundo nas costas e inúmeros parceiros de fé, estrada e caminho. Nádia é só. Trilhar caminhos de entrega à música popular ancestral, se dedicar a ouvir mestres e reinventar as raízes, valorizando a essência e a história do passado, requer ir na contramão de um sistema devorador da indústria fonográfica no país.
“Se a gente for pensar em mercado, temos que saber que para este tipo de música não é mega como para outros estilos que se massificam fácil, mas ele existe e é especial. A difusão não é facilitada por grandes emissoras ou gravadoras. Não é de interesse delas. A gente sabe muito bem porquê.” Ainda assim, a compositora relata que é possível ter sobrevivência dentro desse meio. “Desde que o artista se disponha a ‘arregaçar as mangas’ e buscar, criar, ocupar espaços, lembrando que o mais importante deles que não tem finalidade econômica, mas sim o coração das pessoas”.

Uma latino-americana

Ela ainda não tem 30 anos de idade e já soma 23 anos de carreira. Durante as andanças pelos diversos brasis, Nádia também é uma apaixonada pela cultura latino-americana. Passou os anos de 2007 e 2008 conhecendo as culturas argentina e chilena, vivenciando um maior contato com os músicos Ernesto Cavour, da Bolívia, o peruano Raul Garcia Zarate, Tânia Ramos, do Paraguai, o colombiano Fernando León e Gustavo Colinas, da Venezuela.

Sua vinda ao Sul do Brasil renovou ainda mais sua proximidade com o pampa.“Gostei de sentir esta proximidade com as fronteiras dos países vizinhos e observar como a cultura permeia as fronteiras. Me chamou atenção o engajamento do povo de Pelotas”, declarou.

Se perguntada como se sente, silencia e responde que é difícil falar algo tão íntimo. É nos silêncios que talvez esteja a resposta. E é a partir desse silêncio que vem a frase daquela menina de vinte e poucos anos com saberes antepassados de tradição: “Sou arvoredo que voa livre com as asas dos ventos”.